Informações

A Hemoterapia  é um procedimento emergencial que auxilia no tratamento de inúmeras enfermidades graves, através da utilização de sangue total e de seus hemocomponentes. A transfusão sanguínea visa corrigir temporariamente algum distúrbio hematológico severo.

A prática da transfusão sanguínea na Medicina Veterinária tem crescido muito no Brasil, juntamente com a qualidade e a segurança deste procedimento. Programas de doação que monitoram o estado de saúde dos doadores evitam que doenças infecto-contagiosas sejam transmitidas durante o processo de transfusão. O fracionamento do sangue nos permite infundir apenas o hemocomponente específico para cada caso e a cada dia novas pesquisas acrescentam novos conhecimentos sobre reações transfusionais e sobre grupos sanguíneos das mais variadas espécies. A implementação de novos conceitos relacionados às boas práticas na coleta, transporte, processamento e no acondicionamento do sangue e de seus derivados também tem contribuído para o aprimoramento da técnica.

Reações  transfusionais

As reações transfusionais não são muito comuns, porém as mortes ocorrem, especialmente em gatos. A observação cuidadosa dos sinais clínicos e a avaliação laboratorial adequada dos efeitos adversos da transfusão  resultam em  uma transfusão segura.

As reações transfusionais são classificadas em:

  • Imunológicas   (agudas ou tardias)
  • Não imunológicas

1. Imunológicas agudas

 Hemolítica aguda

É a principal e mais grave das reações hemolíticas. São raras e ocorrem  devido à incompatibilidade entre os grupos sanguíneos. Caracteriza-se por hemólise aguda que se manifesta, normalmente, nos primeiros 30 minutos de transfusão. Pode levar o animal a óbito.

Sintomas: febre,taquipnéia , taquicardia,emese,hipotensão, hemoglobinúria,oligúria, choque.

Prevenção: Prova cruzada ou tipagem sanguínea antes da transfusão.  

O uso de corticoides não previnem este tipo de reação. A severidade da reação é diretamente proporcional ao número de hemácias transfundidas, sendo assim, é recomendado que a administração durante os primeiros 30 minutos seja lenta (20% do volume inicial previsto), e que a temperatura corporea seja monitorada, pois sua elevação é o primeiro sinal de reação.   

Tratamento suporte:

  • Interromper a transfusão
  • Fluidoterapia
  • Monitorar o fluxo urinário
  • Diuréticos em caso de caso de oligúria   
  • Antieméticos
  • Dexametasona: 1 mg/kg (para minimizar as manifestações clínicas)

Reações  febris – não hemolíticas

Qualquer aumento de 1°C ou mais deve ser considerado uma reação febril decorrente da presença de anticorpos contra leucócitos, plaquetas ou proteínas plasmáticas.

Além da febre, podem ocorrer urticária, angioedema, prurido, emese, diarréia, dispnéia e anafilaxia.

Tratamento: Interromper a transfusão

Difenidramina: 0,5 – 1 mg/kg/SC ou IM (não usar IV)

Dexametasona: 0,5 – 1 mg/kg SC, IM ou IV

Imunológicas tardias

É caracterizada por hemólise e febre tardia em consequência da redução da vida média das hemácias transfundidas. O período médio esperado das hemácias transfundidas é de 21 a 48 dias. A hemólise tardia resulta de uma vida média das hemácias de 2 a 5 dias.

2. Não imunológica

Principais reações transfusionais não imunológicas
Reação Transfusional Causas Manifestações Clínicas Tratamento
Reação anafilactóide Infusão rápida
Degranulação de mastócitos
Urticária, angioedema,
dispnéia
Interromper a transfusão
Administrar epinefrina (IV), anti-histamínicos (SC
ou IM) e corticóides (IV)
Sobrecarga circulatória Administração de volume
excessivo de sangue total ou
hemocomponente
Taquipnéia
Bradicardia
Edema pulmonar
Interromper a transfusão
Diuréticos
Optar por concentrado de hemácias em
pacientes nefropatas ou cardiopatas
Contaminação microbiana Sangue total ou
hemocomponentes
contaminados com bactérias
ou fungos
Taquipnéia,Taquicardia
Febre,Emese
Choque, Colapso
Interromper a transfusão
Coletar amostras de sangue das bolsas e do
receptor para cultura
ATB e fluidoterapia IV
Hipotermia Administração de produtos
sanguíneos frios (grandes
volumes, pacientes pequenos
e anestesiados)

Depressão
Tremores Arritmias
Choque
Parada cardio-respiratória
Interromper a transfusão
Administrar fluidos aquecidos
Aquecer o paciente durante a transfusão
Intoxicação por citrato
(anticoagulante da bolsa)
Administração de grandes
volumes de produtos
sanguíneos
Sinais e sintomas de
hipocalcemia: tremores,
febre, arritmias cardíacas,
emese, convulsões
Administrar gluconato de cálcio a 10% (1
mg/kg/IV, lentamente)
Monitorar com ECG
Policitemia Transfusões de sangue
total para tratamento de
doenças hemostáticas (sem
anemia concomitante)
Aumento da viscosidade
sanguínea
Trombose
Isquemia
Flebotomia (20 mL/kg)

Endereço

Rua C 118, Qd. 241, Lt. 01, Jardim América, Goiânia - GO, 74.255- 490